Cinema Amador Fluminense

Por cinema amador, o LUPA segue a definição do The Amateur Cinema Studies Network (ACSN), entendendo os filmes amadores como “as imagens em movimento que evocam todos os aspectos da vida das nossas sociedades, ontem e hoje, realizadas em todos os formatos e suportes e que, em sua origem, não foram destinadas à difusão nos circuitos profissionais do audiovisual” (tradução livre).

O LUPA está voltando principalmente para o cinema feito nas chamadas bitolas estreitas, formatos amadores ou semiprofissionais como o 9,5mm, 8mm, Super 8mm e 16mm. Realizações em vídeo analógico, como VHS e S-VHS, já ameaçados pela rápida obsolescência tecnológica, também fazem parte do campo de interesse do LUPA. Não apenas os filmes, o LUPA também recebe, preserva e difunde equipamentos como câmeras e projetores, além de todo tido de documentação relacionada à cultura cinematográfica amadora do Estado do Rio de Janeiro.

Acreditamos que o cinema amador tem o potencial de revelar aspectos da vida pessoal e da sociedade do Estado do Rio de Janeiro não capturados ou vislumbrados na produção cinematográfica profissional, quer documentária ou ficcional. São filmes permeados de lembranças e afetos de seus realizadores, amigos e familiares, mas que também se constituem em obras de interesse mais amplo. O LUPA busca a preservação, promoção e valorização de filmes caseiros, filmes de família, filmes de viagem, filmes escolares, enfim, um amplo conjunto de imagens e sons que podem ser chamados de “filmes órfãos”.

O cinema amador – seja feito em película, vídeo ou digital – é frequentemente mais frágil e ameaçado de desaparecimento, pelo desinteresse por sua forma supostamente “malfeita”, pela sua própria materialidade (geralmente são cópias únicas) e também pela ausência de ações sistemáticas de preservação dessas obras. O LUPA, restringindo seu foco ao Estado do Rio de Janeiro, pretende suprir a lacuna na valorização desse tipo de cinema, contribuindo para a constituição de uma rede de cinematecas e arquivos de filmes que atuem de forma colaborativa e complementar na preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

O slogan do manifesto dos 70 anos da FIAF – Federação Internacional de Arquivos de Filmes, em 2005, foi “não jogue filme fora”. Se você tem algum rolo, fita ou filme em casa, mesmo que já o tenha copiado para novos suportes (como DVD) ou ache que ele não tem valor (por ser velho ou estar sujo e malcheiroso), antes de pensar em descartá-los, procure o LUPA que oferecemos instruções, informações e abrigo.


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