Biografia de Salvatore Santoro

Salvatore Santoro (Fuscaldo, Itália, 1909 – Rio de Janeiro, 1991) chegou ao Brasil aos sete anos de idade, acompanhado da mãe, Franceschina Sabato, e da irmã mais nova, Angélica. Seu pai, Francesco Santoro, que já havia emigrado para o Brasil, providenciou a vinda da família somente depois de comprar uma casa na Rua Monte Alegre, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. No Brasil, Franceschina e Francesco tiveram mais três filhos: Elda, em 1921, e os gêmeos Carmella e Mário, em 1923.

No Rio de Janeiro, depois de terminar o ensino médio, Salvatore fez curso de contabilidade e começou a trabalhar na Fábrica de Tecidos Seabra, na qual seguiu carreira, chegando a ocupar o posto de gerente. Era muito querido por seu chefe, Gervásio Seabra. Salvatore trabalhava na Rua Visconde de Inhaúma e prosperou, diferentemente de seu pai, que se manteve sempre com uma banca de venda de charutos.

Em 1941 Salvatore casou-se com Antonietta Badolato, também de família italiana, e continuou morando na casa da Rua Monte Alegre, que foi sendo ampliada. A vizinhança era quase toda de imigrantes italianos – além dos Santoro, havia os Carelli e outras famílias. Moravam todos juntos como numa comunidade.

Salvatore teve duas filhas, Wanda Santoro Rocha, a mais velha (04/05/1942), e Tânia Santoro Fadel, a caçula (29/03/1946). Durante a gravidez da segunda filha, a família se mudou para um apartamento na Rua Bernardino dos Santos, enquanto Francesco transformava a casa num prédio para acomodar todos os familiares. Quando as economias do pai acabaram, Salvatore usou sua poupança para terminar as obras, incluindo o quarto andar, onde foram morar.

Salvatore descobriu a paixão pelo cinema no Brasil, mas ele gostava de fazer filmes, nem tanto de ir ao cinema. Adquiriu uma câmera francesa Pathé Baby 9,5mm, movida à corda, e um projetor automático austríaco silencioso Eumig 9,5mm. Realizou filmes familiares ao longo dos anos 1940 e 1950, registrando batizados, aniversários e viagens. Exibia também comédias silenciosas e desenhos animados para os vizinhos, no meio da rua, projetando na parede do prédio em frente à sua casa.

Mais tarde, conseguiu do seu chefe um projetor sonoro norte-americano, da marca Revere, bitola 16mm. Antes disso, ele lhe emprestava o equipamento e as cópias que alugava na Filmoteca Mesbla, na Rua do Passeio, e em outros locais.

Salvatore realizou ainda o sonho de construir um cineminha no terraço do prédio de sua família, com teto, parede e tudo o mais. No cinema doméstico, fazia sessões para a família toda, projetando seus filmes e outros que ele alugava (incluindo alguns títulos eróticos, em sessões só para os homens). Quando sua irmã Elda, já casada, passou por dificuldades econômicas, Salvatore abriu mão do cinema para que ela transformasse aquele último andar num apartamento, no qual passou morar.

Aos poucos, Salvatore foi perdendo interesse no hobby do cinema. Salvatore faleceu no Rio de Janeiro em 17 de março de 1991. Sua filha Wanda, porém, guardou, durante muitos anos, os filmes e equipamentos do pai, que ela doou ao LUPA-UFF em 2017.

Texto de Rafael de Luna Freire a partir de informações fornecidas por Wanda Santoro.

Salvatore Santoro aos 31 anos de idade.
Salvatore Santoro com a esposa Antonietta e as filhas Wanda e Tania.
Um dos filmes 16mm da coleção, sobre o aniversário de Tania.


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